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Gabriel Fernandes revela como o fazer manual deu forma ao seu ambiente na CASACOR SP 2026

Fotos: Re Freitas / Divulgação

A CASACOR São Paulo deste ano é um convite irrecusável para revisitar as diferentes maneiras de morar. Entre os ambientes desta edição, o projeto assinado pelo arquiteto Gabriel Fernandes chama a atenção pela forma sensível como valoriza o artesanato brasileiro, a memória e a arquitetura de interiores.

Em homenagem à icônica designer Janete Costa, o espaço coloca o fazer manual no centro da narrativa, demonstrando como tradição e contemporaneidade não apenas coexistem, mas se potencializam.

Em parceria com o PilarHomes, conversamos com Gabriel Fernandes para entender o nascimento deste projeto, o significado da estante monumental criada ao lado do artista Nelinho e de que forma o arquiteto encontrou o equilíbrio perfeito entre a imponência da arquitetura e o acolhimento que abraça o visitante.

Em um momento em que a tecnologia e a produção em escala ganham cada vez mais espaço, por que insistir no fazer manual como protagonista de um ambiente contemporâneo?

Gabriel Fernandes: Tudo o que é feito com as mãos é muito sagrado para mim. A relação de troca entre o fazer e quem faz é algo que não se mede; existe uma magia nessa troca energética, na importância de salvaguardar as técnicas, na performance da matéria e na relação com o território. Tudo o que um povo produz com as mãos diz muito sobre a cultura em que vive. O artesanato é a união da técnica com o material como meio de comunicar também como chegamos até aqui. Minha linguagem na arquitetura foi construída pautada nessa intenção de colocar esses objetos em primeiro plano, integrando a sabedoria ancestral com a minha forma de enxergar a arquitetura.

A estante monumental criada com o artista Nelinho funciona quase como uma narrativa material do projeto. Como foi o processo criativo dessa colaboração e o que ela representa para você?

Gabriel Fernandes: Quando iniciei a concepção do ambiente, eu sabia que a estante seria um dos elementos mais importantes do projeto. A repetição do elemento, o gesto de repetir inúmeras vezes, um trabalho minucioso, tão manual quanto o entalhe, cabia nesse lugar de performance projetual.

Estamos homenageando uma pessoa que teve uma vida tão intensa, marcada por diversos momentos de sucesso e fragmentos importantes que se interligam com muita gente. Só falando de alguém como Janete Costa poderíamos utilizar um pé-direito duplo repleto de gavetas para representar tantas passagens.

Quando viajei pelo Brasil durante minha pesquisa Brasis Que Vi, conheci o trabalho do Nelinho e me encantei pela forma como ele desenvolvia sua relação com a técnica. As volutas, resultantes do encontro dele com as igrejas barrocas e reproduzidas nos trabalhos de restauração, revelaram mais uma intersecção entre mim, Nelinho e Janete Costa: a ligação com o artesão e com a arte sacra. Foi assim que tudo começou a fazer sentido, além de conseguirmos trazer um trabalho tão sensível como o dele para o protagonismo.

O ambiente transmite uma sensação de monumentalidade, mas, ao mesmo tempo, é extremamente acolhedor. Como você equilibrou esses dois conceitos ao longo do desenvolvimento do projeto?

Gabriel Fernandes: Eu queria que esse espaço pudesse refletir um pouco de tudo o que Janete Costa representou para a construção da identidade brasileira dentro da arquitetura de interiores, um trabalho que foi pouco valorizado na época. Janete foi pioneira em muitos aspectos e sua proximidade com o modernismo trouxe essa bagagem do pensamento de equilíbrio entre monumentalidade e proporção, sempre na medida certa.

Durante todo o processo, busquei acessar esse lugar, de não perder a mão em nenhum desses momentos, equilibrando essa equação.

O legado de Janete Costa inspira um dos ambientes mais marcantes da CASACOR SP 2026

Ao transformar o artesanato em protagonista e aproximar arquitetura, arte e memória, Gabriel Fernandes assina um dos espaços mais poéticos desta edição. A homenagem a Janete Costa ultrapassa a referência estética: ela reforça a urgência de preservar os saberes manuais brasileiros, colocando em evidência artistas, técnicas e histórias que seguem moldando a nossa arquitetura contemporânea.

Esta entrevista faz parte da cobertura especial da CASACOR SP 2026 realizada pelo Casa de Valentina em parceria com o PilarHomes, plataforma que conecta pessoas a imóveis onde arquitetura, design e qualidade de vida caminham juntos. Afinal, morar bem vai muito além da localização: é viver em espaços capazes de traduzir histórias, bem-estar e identidade.

Gostou de conhecer os bastidores da criação de Gabriel Fernandes? Aproveite para ler também nossa matéria completa sobre o ambiente na CASACOR SP 2026 e descubra, em detalhes, os elementos, materiais e inspirações que dão forma ao projeto. Para conferir a minha curadoria exclusiva de imóveis que valem a pena conhecer no PilarHomes, é só clicar aqui.

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