
Fotos: André Scarpa / Divulgação
Abrir as portas de uma casa é sempre um convite para enxergar além do óbvio. Nesse Open House, eu caminhei por uma residência assinada pelo Superlimão, escritório que assina o projeto, e a experiência foi justamente essa: entender como cada decisão de arquitetura sustenta um jeito muito particular de viver. Com 400m², essa casa foi pensada para uma família que valoriza encontros, música e uma rotina intensa, daquelas que pedem espaços generosos, flexíveis e cheios de vida.
Essa, aliás, é a terceira colaboração entre os moradores e o Superlimão, uma parceria que já passou pelo escritório do casal e pela antiga casa da família. Dá para sentir essa intimidade logo nos primeiros passos: a arquitetura não se impõe, ela escuta. A proposta partiu de uma construção preexistente, neutra, que foi reinterpretada para se tornar uma casa viva, aberta ao jardim e preparada para receber. Tudo gira em torno do convívio, sem abrir mão do conforto do dia a dia.
No térreo, a sala principal totalmente envidraçada se integra ao verde e funciona quase como um grande palco social. O layout é modular, mutável, e cria diferentes cenários ao longo do dia, com direito a um balanço no centro do espaço, que imprime leveza e um certo espírito lúdico ao ambiente. A cozinha conversa diretamente com essa área por meio de um passa-prato retrátil, reforçando a ideia de fluidez e uso contínuo.
Do lado de fora, o terraço com bancada de pedra bruta e banco moldado in loco convida a ficar. É aquele tipo de espaço que acolhe desde um almoço informal até uma celebração maior. Já o estúdio de música, criado a partir de um antigo anexo, merece destaque à parte: totalmente transformado, ele recebeu tratamento acústico especializado e reaproveitou elementos da antiga casa, unindo técnica, memória e afeto.
Um dos gestos mais marcantes do projeto está no vão da escada: uma instalação artística feita de metal e cordas que percorre todos os pavimentos. Além de obra de arte, ela costura a casa verticalmente, conectando os espaços e reforçando a ideia de continuidade. No subsolo, a garagem divide espaço com um salão de jogos multifuncional, mostrando como até as áreas mais utilitárias entram no jogo da flexibilidade.
Esse Open House foi uma oportunidade preciosa de ouvir a arquiteta explicar os desafios, as escolhas e as histórias por trás de cada detalhe, especialmente o cuidado em reaproveitar mobiliários e estantes da antiga residência, prolongando a vida útil dos materiais e das memórias. Se você quer ver tudo isso de perto, com comentários e imagens que revelam ainda mais camadas desse projeto, vale muito a pena assistir ao vídeo completo. É daquelas casas que fazem a gente entender, na prática, como a arquitetura pode ser um reflexo fiel de quem mora ali.
Aperte o PLAY para assistir ao Open House completo!




